6 décadas de história

Prodepa – 61 anos de História e Tecnologia da Informação e Comunicação

 

A história da Prodepa, muitas vezes se confunde com as histórias de seus próprios funcionários. Gente com 10, 20, 30 e mais anos de empresa, que se dedica diariamente a prover tecnologia e informação para a Administração Pública do Estado do Pará.

Este texto foi concebido baseado nas memórias e fotos encaminhados por essa gente, para montagem de um painel temporal das fases ou ondas tecnológicas surfadas pela Prodepa desde a sua criação até os dias de hoje.

De acordo com Alvin Toffler, vivemos a terceira onda econômica mundial, tendo sida a primeira onda, a revolução agrícola; a segunda, a revolução industrial; e a terceira, a “Era da Informação”, na qual mente, informação, conhecimento e alta tecnologia são tipos de capital essenciais à sustentabilidade e ao meio ambiente. Segundo o mesmo autor, “Mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas”, é o “way of life” tão bem conhecido na Prodepa, caracterizado pelas avalanches de inovações tecnológicas que inundam os que lidam com as tecnologias, e neste caso e em especial, as de informação e comunicação de dados.

Fazendo um comparativo com as ondas de evolução, a Prodepa também passou por grandes ondas tecnológicas tendo sido a primeira grande “onda”, a vivida antes da década de 1980. Nessa época, os sistemas eram todos na modalidade BATCH e a Prodepa trabalhava com o chamado “pool” de digitadores e conferentes, que digitavam os dados para a alimentação dos sistemas. O processamento dos dados se dava à noite e madrugada, pelo pessoal da operação que também, emitia longos relatórios em formulários contínuos, contra-cheques, para conferência e entrega aos usuários. A Prodepa tinha como principais serviços: a compensação bancária, a arrecadação estadual e a folha de pagamentos, além da microfilmagem de documentos. Os movimentos bancários, em especial do Banpará (antigo BEP) eram processados, assim como a arrecadação estadual. A folha era um sistema de digitação que não fazia cálculos, apenas imprimia os contra-cheques dos funcionários de todo o estado. Os sistemas, todos escritos utilizando a linguagem Cobol, linguagem classificada como de 2a. geração, que na época era o que havia de mais evoluído, já que as linguagens de 1a. geração eram as linguagens de máquina, tal como o “assembler”. Tudo era executado em um poderoso e imenso “mainframe” (IBM 360/3 com 64 Kb de memória) que recebia as informações via “data-entry”.

A segunda onda, iniciou na década de 1980 e durou mais ou menos 10 anos. Foi um período de modernização tecnológica para a Prodepa por ter adquirido um computador de maior capacidade (IBM 4341 com 2 Mb de memória), e passado a utilizar a linguagem de programação Natural, classificada como de 3a. Geração com o banco de dados Adabas. Aliado a isso, contratou também novos analistas e programadores e capacitou-os na nova plataforma de desenvolvimento totalmente “on line” utilizando os terminais 3270. Isto possibilitou maior produtividade e qualidade no desenvolvimento de produtos de software. O primeiro sistema a ser migrado para a nova plataforma foi o Sistema de Identificação Civil, que ainda hoje trabalha utilizando esses softwares, o qual inovou pela emissão on line de carteiras de identidade para a população, por meio de processo de teleprocessamento (TP) que interligava algumas unidades da polícia civil na `capital à Prodepa. Aliado a essa nova tecnologia, foi inaugurada a nova e moderna sede da Empresa, com design e arquitetura arrojados e ambientes apropriados e seguros, rodeados por belíssimo bosque com vegetação nativa preservada no processo de construção da Empresa.=

Na década de 1990, a Prodepa passa para a sua terceira onda, caracterizada pela concepção, implantação e consolidação dos sistemas globais. Foi a época áurea do Desenvolvimento de Sistemas Administrativos do Estado, também conhecidos como sistemas corporativos, dos quais alguns ainda estão em operação até os dias de hoje. Com toda a expertise adquirida na década passada, e com técnicos experientes e devidamente treinados na nova tecnologia (Natural/Adabas), a Prodepa inicia o desenvolvimento e a implantação de sistemas que dariam a sustentação ao Governo do Estado. Sistemas aplicativos como Protocolo Geral do Estado, Folha de Pagamento, Sistema de Material e o Sistema Financeiro do Estado são implantados e pela primeira vez o Governo do Estado pode consolidar e ter o controle centralizadamente das contas e gastos públicos. A Prodepa é vista como uma importante empresa, braço direito da gestão e se transforma em Empresa Pública Estadual. Essa onda dura mais ou menos 15 anos. Embora durante esse período os microcomputadores tenham surgido e se instalado em todo o mundo, isso não seria uma realidade na Prodepa, que trabalhou nessa década ainda com “terminais burros” ou com estes microcomputadores emulando terminais. Nessa época a Prodepa promoveu uma significativa atualização tecnológica com a aquisição de nova infraestrutura computacional composta de processador central (IBM 9672), discos, controladoras e sistema operacional que migrou do VSE/SP para o MVS/ESA. Também foram feitos alguns ensaios para implantação de redes locais, com sistemas cliente-servidor, mas por esta tecnologia ainda estar pouco difundida e os sistemas natural-adabas bastante consolidados e fortes na Prodepa, estes se mantiveram em operação por mais uma década. Como marco nesta era, cita-se a descentralização dos sistemas específicos que passaram a ser operacionalizados pelos órgãos que montaram seus quadros próprios de técnicos de informática e implantaram os CPDs, ganhando autonomia na gestão da informática.

Na década de 2000, após ter passado pelo tão famoso “Bug do Milênio”, a Prodepa investe na interiorização interligando os órgãos estaduais em alguns municípios do Estado, por meio de links de dados dedicados, em largura de banda que iam de 32 ou 64 Kb até no máximo 512Kb, permitindo o acesso aos sistemas residentes no mainframe da Prodepa. O acesso à Internet se consolida no mundo e a Prodepa se posiciona no governo como provedora do Estado e principal desenvolvedora de sites para os órgãos (Home Page). Nesta época, a Prodepa realiza seu primeiro concurso público para analista de sistemas, analista de suporte e assistente técnico.

Já no final da década de 2000 e até a década de 2010, houve a adoção preferencial de software livre seguindo tendências mundiais e em especial citamos a adoção da linguagem JAVA. Foram implantadas metodologias para desenvolvimento de sistemas (MDS) e a fábrica de software. Assim, a empresa inicia uma nova escalada rumo a sistemas mais inteligentes, mais fáceis de manutenção e com maior interoperabilidade. Inicia-se também a migração dos sistemas mainframe para uso via web. São adquiridos novos computadores servidores em plataforma aberta para ambiente de produção. Ainda nesta época, surge a quarta onda. A Prodepa se lança na implantação de infovias digitais para transporte e tráfego das informações do Estado, objetivando o provimento de conectividade em banda larga, com qualidade e economia. Para isso foram vitais as parcerias com a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) e com a Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A) que disponibilizaram o compartilhamento de suas redes com o Governo do Estado. A empresa se transforma então, em uma empresa de telecomunicações, o que exigiu novos expertises e quadros de pessoal qualificado para a elaboração e manutenção das infovias e cidades digitais. Um novo concurso público é realizado com este objetivo e uma nova safra de técnicos se juntam aos funcionários antigos dando um novo fôlego a empresa.

De 2011 até os dias atuais, estamos vivendo um novo salto na história da Prodepa, marcado por expressivas mudanças tecnológicas advindas da aquisição de novos equipamentos capazes de suportar ambientes virtualizados, triplicando a capacidade de armazenamento de dados, criando um ambiente computacional favorável para a implantação de nuvens privadas e facilitando a criação de servidores virtuais sob demanda. Tal upgrade tecnológico permitiu a migração do ambiente natural/adabas com os sistemas aplicativos e globais do Estado, da plataforma mainframe para o ambiente virtualizado. Na área de Telecom, a Prodepa reestruturou os sites e backbones das Infovias e Cidades Digitais, introduziu novas tecnologias de transmissão bem como proveu redundância de enlaces (anéis), potencializando e dando maior garantia dos sinais, cresceu a rede estadual de comunicação de dados com sustentabilidade, eliminando os links de concessionárias mantidos pela Prodepa. Mais infovias, mais cidades, mais pontos requereram também mais banda de Internet para uso do Estado, a qual foi duplicada e ganhou a proteção anti Ddos. Na área de desenvolvimento de softwares, consolidou-se do uso da tecnologia JAVA para sistema aplicativos do Estado, e no uso de aplicativos mobile. Modernizou-se o tratamento de documentos com a introdução da digitalização aliada à microfilmagem. E todo este avanço não poderia ter ocorrido sem o maciço investimento na capacitação dos seus funcionários e ênfase na gestão e modernização institucional, pela implantação de instrumentos de planejamento estratégico, mudança de estrutura organizacional, e implementação de metodologias e ferramentas de melhoria de qualidade.

Hoje, após todas estas ondas que impulsionaram a Prodepa, durante estas 6 décadas de existência, municípios, cidades, vilarejos e comunidades tem acesso à informação por meio da Internet. Projetos foram implantados promovendo a inclusão social através da inclusão digital. Praças públicas e outros locais ganharam acesso livre à Internet. Com o apoio da tecnologia, o Estado implantou projetos em importantes segmentos do serviço público, e em especial na educação, saúde e segurança, tais como: EAD (educação à distância) e o acesso das escolas à diversas plataformas educativas; a saúde ganhou um poderoso aliado nas ações à distância como a 2a. Opinião Médica e a segurança consolidou a vigilância eletrônica com câmeras de monitoramento on line e delegacia virtual. Também merece destaque as parcerias que foram firmadas com vários órgãos e empresas, como o Banpará (Banco do Estado do Pará), Tribunal de Justiça do Estado e CINBESA (Companhia de Informática de Belém), visando a implantação de rede óptica própria na região metropolitana de Belém chegando até Castanhal. Nascem as redes metropolitanas de fibra ótica, em Santarém, Marabá, Paragominas e Castanhal através da parceria com a RNP. Também merece destaque a parceria com a Telebrás que permitiu a chegada do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) de forma rápida aos municípios paraenses, beneficiando a população de forma geral.

Atualmente, a empresa ainda vive sua quarta onda, aprimorando os sistemas do Estado, processando diariamente as informações de controle da administração pública estadual e ampliando seu sistema de telecomunicações. Enfim, pode-se dizer que durante toda a sua trajetória, a Prodepa se consolida cada vez mais como a “Casa de Tecnologia do Governo do Estado”, utilizando a tecnologia da informação e comunicação, fazendo com que o Pará, que é tão grande, fique tão perto de todos nós.